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Professor

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Entrevista com Pierre Lévy

Pierre Lévy – Novas Formas de Saber


As tecnologias de comunicação, mesmo as mais avançadas, não são capazes de construir por si próprias novas formas de saber e de inteligência. Isso porque, seu impacto sobre as existências individuais e coletivas depende diretamente da habilidade das pessoas que as utilizam. A afirmação é do filósofo francês Pierre Lévy, celebrado como um dos pensadores de ponta da cibercultura. Afinal, defende o criador do conceito de inteligência coletiva, ao longo da história, os seres humanos vêm se adaptando a padrões estabelecidos pelos mais diversos tipos de equipamentos, dos telefones convencionais aos tablets, fazendo os mais diversos usos deles. É a habilidade demonstrada pelas pessoas na interação com os equipamentos que torna mais ou menos ricas a produção e a transmissão de informação mediada pela tecnologia e, consequentemente, o processo de produção do conhecimento. Leia, a seguir, a íntegra da entrevista coletiva concedida por Lévy recentemente em São Paulo e da qual a Pré-Univesp participou.
Pré-Univesp: Muitas pessoas afirmam a relação entre homem e computador ou celulares como sendo intuitiva, em especial os desenvolvedores que trabalham a usabilidade. O senhor considera que a tecnologia simplifica ou complica a vida das pessoas?
Pierre Lévy: A resposta simples: complica! (risos)
Pré-Univesp: Em que medida a aprendizagem de uma nova tecnologia é intuitiva ou depende de processos ou movimentos educacionais (não necessariamente formais) e culturais? Entender a relação tecnologia e homem como intuitiva não acaba sobrepondo diferenças culturais, étnicas, etárias ou socioeconômicas?
Pierre Lévy: É verdade que os grupos sociais que vivem em condições desfavoráveis têm mais dificuldade para utilizar as novas formas de comunicação. Há uma espécie de padronização dos protocolos de comunicação no mundo todo. Tomemos dois exemplos. O primeiro é o telefone. Usar alguns números para contatar uma pessoa é muito estranho, se pararmos pra pensar. Mas com a usabilidade, é possível selecionar o nome de quem se deseja contatar e a ligação é feita. Esquecemos os números, mas eles estão ali. Por causa da padronização podemos telefonar de qualquer ponto do mundo para qualquer parte do globo. Assim, a padronização é inevitável. O segundo exemplo é o carro. Os carros são todos iguais. Há pequenas diferenças, como a mão da direção na Inglaterra, que é do lado esquerdo ou mecanismos automáticos que existem em alguns carros e em outros não. Mas todo o resto é exatamente a mesma coisa no mundo inteiro. E essa padronização simplifica a vida das pessoas, sobretudo das que viajam. É evidente que se pode ter uma adaptação local, mas eu acho que no futuro a padronização industrial vai continuar, especialmente no campo das comunicações e telecomunicações. Essa é uma tendência irrefreável. E eu acho que isso é bom, pois não haveria internet se não tivéssemos o sistema de endereçamento padronizado. Não haveria world wide web sem sistemas universais de páginas, URLs, e assim por diante. Se quiser ainda outro exemplo, temos o formato digital para músicas mp3, que é o mesmo para diferentes tipos de música. No nível técnico, isso é completamente padronizado. Assim, a padronização da técnica é uma coisa e a padronização do conteúdo é outra completamente diferente. Existe a música africana, a música brasileira… Por isso, precisamos distinguir a padronização técnica da padronização cultural. Acredito que a padronização técnica é uma coisa boa para a mudança cultural; misturar diferentes tendências, diferentes correntes, diferentes culturas.
Pré-Univesp: Mas o fato de os produtos serem padronizados supõe que as pessoas terão a mesma facilidade para utilizá-los sejam elas de qualquer origem ou cultura?
Pierre Lévy: Esse é um aspecto material, de computadores, iphones… Mas eu diria que é difícil para todo mundo, muito mais para culturas orientais e países do hemisfério sul, especialmente, para a geração mais antiga, em qualquer lugar. É menos uma questão de país de origem do que de quantos anos tem o usuário dessas tecnologias. Eu tenho dificuldades. Não gosto de smartphones, são muito pequenos, a visualização é difícil… Não gosto.
Pré-Univesp: Nós temos hoje em dia os smartphones, os tablets e diversos outros equipamentos que contribuem para o desenvolvimento da inteligência coletiva. Qual é o real papel dessas ferramentas nessa nova forma de construção do saber? Como elas podem definir essa construção?
Pierre Lévy: Não é o gadget que eu uso que é definidor: é a habilidade em usá-lo. O que é importante é que nós estamos agora criando ambientes em rede onde a comunicação é ubíqua. Isso quer dizer que de qualquer lugar é possível se comunicar com alguém que está conectado à rede. Este é o primeiro aspecto. O segundo aspecto é que nós temos hoje uma capacidade quase infinita para guardar informação, e isso praticamente sem custos. E o terceiro aspecto é que nós temos um tremendo crescimento da potência computacional, que é a capacidade de o computador fazer operações automáticas através de números, através de símbolos, tornando mais eficaz o processo de comunicação. Então existem: a potência computacional, a comunicação ubíqua por internet e a capacidade quase infinita de guardar informações. Com esses três aspectos nós temos um novo ambiente de comunicação, e esta é a base técnica para o desenvolvimento de um novo tipo de inteligência coletiva. Se existem essas três ferramentas, automaticamente se desenvolve um ambiente forte de comunicação que permite desenvolver a inteligência coletiva. A exploração ou o uso dessa capacidade depende de cada um e não das ferramentas.
Pré-Univesp: Como os processos cognitivos impulsionados e modelados pelas atuais tecnologias de comunicação móveis, que estão avançando forte e rapidamente, diferem das tecnologias digitais de cinco, dez anos atrás?
Pierre Lévy: Não há tantas diferenças assim. A comunicação móvel teve avanços e a noção de ubiquidade está em todo lugar e em todas as coisas. Essa é a principal diferença. Para todo o resto, não há grandes diferenças, a meu ver.
Pré-Univesp: Hoje nós temos uma infinidade de ambientes virtuais abertos que podem ser usados na educação, além de novas tecnologias que se apresentam a todo momento. Que tipo de impacto esses ambientes e essas tecnologias estão causando no ensino?
Pierre Lévy: A primeira dificuldade em responder esta questão existe porque nós temos a educação primária, a secundária, a educação superior e, além disso, a pós-graduação sendo que cada uma tem seu estilo de aprendizado. Eu penso que, na educação primária, o relacionamento das crianças com os números, com as palavras, pode ser francamente fortalecido quando elas têm a possibilidade de manipular esses elementos – eu digo as palavras e os números – em telas, seja em computadores ou em tablets. E melhor ainda se essa dinâmica for realmente interativa, online. Então, é possível fazer uso de todas essas tecnologias na educação primária. Mas eu tendo a pensar contra a ideia de um impacto da tecnologia na educação. Não há um impacto da tecnologia na educação. Há ferramentas que estão disponíveis e há educadores que podem usar essas ferramentas de um modo ou de outro. O modo como se usa essas ferramentas é que é importante e não as ferramentas em si. É possível criar várias estratégias de ensino fazendo uso dos mesmos instrumentos, mas não há um impacto que seja automático e universal. Cada um pode explorar essas ferramentas a partir de uma determinada estratégia pedagógica: e é essa forma de aplicação que realmente define a eficácia da utilização dos instrumentos.
Pré-Univesp: A educação faz a ponte entre o passado, o presente e o futuro, pois é a via de transmissão cultural, em sentido amplo. Com o avanço das tecnologias de comunicação, o senhor entende que a educação vem perdendo sua centralidade nesse processo?
Pierre Lévy: De forma nenhuma. Tudo o que uma geração aprende depende do que a geração anterior deixou. As novas tecnologias são ferramentas muito poderosas para a transmissão do conhecimento, sendo o transmissor e o receptor muito ativos nesse processo, sobretudo quando se considera o tamanho da memória contemporânea e também a capacidade de processar informações. Estou falando de poder computacional. O maior problema que enfrentamos agora é a capacidade de usar corretamente, ou de otimizar essas novas ferramentas. Ressalto aqui que a world wide web surgiu há apenas uma geração atrás. É muito pouco na escala da evolução cultural. Vai levar provavelmente… não sei… três, quatro, cinco gerações até que tenhamos desenvolvido uma cultura para usar essas ferramentas da melhor forma possível.
Pré-Univesp: Há um livro recém lançado no Brasil cujo nome é The shallows: what the internet is doing to our brains. Nesta obra, o autor Nicholas Carr se posiciona, em muitos momentos, contra o uso da internet. Um de seus argumentos é de que se trata de um tipo de ferramenta que funciona como uma extensão do nosso próprio cérebro, e que seu uso constante faz com que exista uma nova maneira de se informar e de pensar. O resultado disso é o condicionamento a determinada forma de lidar com o saber: uma maneira que não leva em conta a necessidade de concentração, reflexão e paciência necessárias à apreciação de um bom romance, por exemplo. Como o senhor avalia esse tipo de crítica?
Pierre Lévy: Eu concordo que essas ferramentas tenham se tornado extensões de nossos cérebros e que condicionem formas de pensar, como toda mídia dominante. É o caso da escrita também, que condicionou nosso cérebro. Agora, quanto ao problema da dificuldade de concentração, vejo novamente como um problema de educação, de disciplina cognitiva. Esquecemos que um dos principais objetivos da educação formal é fornecer aos jovens disciplina cognitiva, sem a qual não se consegue nada. Então, se usarmos essas novas ferramentas com uma forte disciplina cognitiva, focando em prioridades, nas coisas mais importantes, usando enciclopédias e dicionários, contatando pessoas que sabem mais que nós sobre determinado assunto, com capacidade de colaborar, criar algo coletivamente, é fantástico. É preciso também controlar sua própria mente. Se não fizermos isso, não será o computador que fará por nós. Ele é uma extensão do cérebro que depende de como o cérebro funciona, claro (risos). Essa disciplina nunca foi natural. Fazer uma criança ler um livro do começo ao fim sempre foi difícil. A tendência é querer sair, brincar, fazer outra coisa, ver televisão. Hoje, acho que há mais tentações para a distração. Assim, a educação para a disciplina cognitiva deveria ser reforçada. Não vejo outra solução que não adaptar a educação.
Pré-Univesp: Como podemos resolver a questão da propriedade intelectual no universo das mídias digitais?
Pierre Lévy: Esse é um problema muito interessante e muito complexo porque, por exemplo, as pessoas que escrevem romances fazem dessa atividade o seu meio de sobrevivência, e não há como querer que elas abram mão de seus direitos autorais. Mas, considerando outro aspecto da questão, é necessário encorajar as pessoas para a criação intelectual e seu compartilhamento gratuito. Existe ainda o argumento em relação a guias, manuais, ou livros que são utilizados na educação: é completamente contraprodutivo ter que pagar por eles – nós deveríamos poder reproduzi-los sem custos. Eu não sei a resposta correta (para esse problema), mas o que posso dizer, como membro da comunidade acadêmica, é que minha posição é a de que cada livro ou artigo acadêmico deveria ser publicado gratuitamente na internet. É completamente paradoxal que livros científicos sejam tão caros. Vocês podem perguntar: – Tudo bem, então por que você não publica seus livros de graça, na internet? Minha resposta é: – Se eu disponibilizo meus trabalhos em meus sites pessoais, isso não irá contribuir para a minha carreira acadêmica. Porque eu tenho que mostrar essa produção em jornais científicos e outros veículos como esses. De um lado, tenho que apresentar meus trabalhos através de publicações consideradas sérias, e por outro lado eu não quero receber os direitos por meus livros: eu quero apenas que as pessoas os leiam. Em meu caso, em particular, alguns dos livros que escrevi estão disponibilizados gratuitamente na internet. Isso pra mim não é um problema, mas é uma questão para os meus editores. É uma situação difícil. Penso que estamos em um momento de transição e que progressivamente iremos encontrar soluções de acordo com as diferentes situações, para as diferentes pessoas, nos diversos setores da sociedade, e o problema da propriedade intelectual será suprimido. De qualquer modo, acredito que o acesso ao conhecimento científico deva ser facilitado: essa é, de uma maneira geral, a minha posição.

Pré-Univesp: Esta é uma questão sobre a memória. A maioria das ferramentas que criamos para a internet considera a questão da memória. A internet, aliás, é um tipo de memória que está fora do nosso corpo. Existe alguma mudança ocorrendo para que a web não seja apenas uma ferramenta de acesso ao esquecido ou ainda desconhecido, mas também um instrumento de reflexão?
Pierre Lévy: Eu penso que a inteligência coletiva das diferentes comunidades que estão se comunicando através da internet não é reflexiva o bastante. É muito difícil imaginar ou ter conhecimento sobre o modo como nós conhecemos alguma coisa, o modo como construímos nosso conhecimento. Uma situação que eu posso usar como exemplo nesse caso é: quando se lê um artigo da Wikipedia, é verdade que é possível entrar na página de discussão sobre como foi construído aquele verbete. Isso não existe em outros ambientes, e mesmo no caso da Wikipedia é muito difícil porque é necessário acessar as páginas, clicar, procurar. Então, eu sonho com uma situação onde possamos ter uma espécie de espelho de criação da inteligência coletiva, que nos ajudará a sermos criativos e a colaborar da melhor maneira possível. Se nós tivermos o espelho e não apenas a nossa inteligência pessoal, nossa consciência receptiva, mas um tipo de consciência reflexiva a respeito de nossa inteligência coletiva, já teremos muito. Mas hoje esse não é o caso. Logo, para mim, uma das pesquisas mais importantes que devemos realizar segue por esta via.
* O filósofo Pierre Lévy falou sobre conhecimento e interação com as tecnologias de informação e comunicação, em entrevista coletiva no Auditório da Coordenadoria de Tecnologia da Informação da Universidade de São Paulo (USP). Esta entrevista foi publicada também na edição número 131 da revista ComCiência, de setembro de 2011.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

FACULDADE GRATUITA DE ADMINISTRAÇÃO EAD 2011

Faculdade Gratuita Administração EAD 2011 300x300 Faculdade Gratuita Administração EAD 2011 Para muitas pessoas o ato de participar de aulas em uma instituição em que elas sejam presenciais não é possível, isso porque a correria do dia-a-dia não permite. Pensando justamente nesse público foi que surgiram as escolas de ensino superior EAD, o ensino à distância, em geral os métodos funcionam de forma parecida. O aluno que estuda em uma escola EAD tem todos os matérias disponíveis na internet e por meio de um login e senha ele acessa tudo na hora que deseja, porém algumas atividades são realizadas nos polos presenciais, principalmente as avaliações. Conheça a seguir a Faculdade Gratuita de Administração EAD 2011, essa pode ser a oportunidade que você desejava para estudar no conforto do seu lar.
O Projeto Universidade Aberta – UAB surgiu para beneficiar muitos estudantes que não poderiam por “n” motivos estudar em uma instituição de ensino regular, hoje são muitas as universidades que aderiram ao programa e estão beneficiando os estudantes com esse método. O Projeto UAB surgiu no ano de 2006 e a cada ano ganha mais adeptos e novos cursos. A Universidade Federal de Lavras – UFLA é uma das instituições que participa desse programa e está oferecendo o curso de administração grátis, porém para ingressar é necessário que o aluno seja aprovado no exame vestibular.
O Vestibular do curso de administração gratuito à distância está com as inscrições abertas até o dia 17 de novembro, o polo presencial onde acontecerão os encontros é na cidade de Lavras em Minas Gerais.
se você se interessou por essa oportunidade saiba que as inscrições podem ser feitas na própria universidade ou pelo site oficial da instituição que aliás também apresenta informações sobre o edital e posteriormente divulgará a lista dos selecionados, acesse agora mesmo e dê uma olhadinha no edital:

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A virada na formação – Educação a Distância


O Brasil forma, atualmente, mais professores para a educação infantil e para o fundamental 1 pela via do Ensino a Distância (EAD) do que pela educação presencial. Dos 118.376 estudantes que concluíram essas habilitações em 2009, 65.354 (55%) graduaram-se por EAD, contra 52.842 (45%) egressos da educação presencial, de acordo com números do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Esse resultado é inédito e confirma uma tendência já evidenciada na série histórica iniciada em 2005. Daquele ano até 2009, a quantidade de concluintes pelo modelo presencial decresceu, ano a ano, com queda de quase 50% no período (de 103.626 para 52.842). Ao mesmo tempo, a quantidade de formados por EAD cresceu, aproximadamente, 464% (de 11.576 para 65.354).
Também no que diz respeito à quantidade de docentes em exercício na Educação Básica que estavam matriculados em cursos de pedagogia, aqueles oriundos da formação a distância eram maioria em 2009, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). Das 192.965 matrículas, 60% eram em EAD. Em outras licenciaturas, letras, matemática, história, a lógica se inverte. Porém, a diferença a favor do presencial varia caso a caso e, em muitos deles, é inexpressiva.
Em números absolutos, o ensino presencial responde pela maioria dos docentes, mas em termos percentuais, ou seja, como tendência, EAD cresce mais. Entre 2000 e 2009, licenciaturas nesse segmento saíram de 1.682 matrículas para 427.730. No presencial, foram de 836.154 para 978.061. Expansão entre 2000 e 2004 e retração de 2005 a 2009.
Outro dado relevante refere-se à evasão (ao analisar a quantidade das matrículas e o número de concluintes). Com base nos dados de 2009, em EAD, 20% dos matriculados se formaram (88.194). No presencial foram 19% (188.807). Os dados de formados se referem aos ingressantes de quatro anos antes.
Universo pantanoso
O fato de termos mais pedagogos e substancial quantidade de professores da Educação Básica graduados integralmente ou obtendo qualificação continuada, mestrado e doutorado a distância exige reflexão. Implica mensurar qual é o crescimento real desse ensino, especialmente, no tangente à licenciatura. Nem entidades civis nem o governo têm acompanhado com precisão essas modificações. Em termos de levantamento quantitativo educacional, relacionado aos docentes, as estatísticas não se consolidam numa instância única. Os estudantes do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor) e da Universidade Aberta do Brasil (UAB) são de responsabilidade da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes. Demais alunos, oriundos do setor particular, assim como egressos dos sistemas estaduais do Ensino Superior, são contabilizados pelo Inep. Cada um dos níveis executivos governamentais tem maneiras distintas de realizar suas verificações com questionários próprios, softwares exclusivos (como a plataforma Paulo Freire) e necessidades particulares de averiguação da informação. O MEC oferece tais dados, mas não há uma mensuração final dos resultados.
A expansão em EAD requer, ainda, verificar quais medidas são adotadas para adequá-la às necessidades dos alunos brasileiros, particularmente, àqueles na graduação, período educacional composto, em tese, por jovens (entre 18 e 24 anos de idade), sem experiência prévia de trabalho, muitas vezes, com formação precária no ensino fundamental. Neste cenário, surgem algumas perguntas: A educação a distância garante uma boa formação pedagógica desses alunos? O país está apto a adotá-la maciçamente como maneira de suprir a carência de professores? E esse professor terá qualidade para educar?
Colaboração
O Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão independente, com funções consultivas junto ao MEC emite desde 2008 pareceres ao Ministério para investir em EAD, para combater o déficit docente. Neste ano, o CNE, por meio de uma comissão bicameral, revê as diretrizes da formação de professores em nível superior para atuação na Educação Básica. O trabalho realizado por reuniões mensais entre sete conselheiros das Câmaras de Ensino Básico e Superior tem previsão de término no final de 2011, quando se emitirá um parecer sobre o assunto. O MEC poderá homologá-lo até maio de 2012.
A importância desse modelo de ensino, conferido pelo Conselho, é identificada em outra de suas ações, seu parecer para as novas Diretrizes Curriculares no Ensino Médio, proferido em abril último.
Para Clélia Brandão, presidente da Comissão Bicameral do CNE, o desenvolvimento de EAD na formação dos docentes ou no sistema de ensino é estratégico. “O país precisa para isso de investimento e planejamento integrados entre União, estados e municípios.”
Quando questionada sobre o acompanhamento tanto do professor em sala de aula quanto em seu período de graduação ou especialização, a conselheira diz não haver ferramentas para medir de forma garantida a aprendizagem dos profissionais formados pela via do EAD. “A qualidade precisa ser acompanhada por pais, gestores públicos, pela sociedade”, reforça. Ela lembra, porém, o fato de o Brasil ser federativo, com as secretarias de Educação tendo autonomia para avaliar o desempenho dos professores. “Não há como fazer uma determinação nacional daquilo que é específico de cada estado e município. Uma avaliação nacional nesse tema não sanaria deficiências”, enfatiza.
Daí, sua lembrança sobre a importância dos fóruns estaduais de educação. Na visão dela, locais mais indicados para o acompanhamento da oferta do ensino e qualidade profissional resultante dele. “Os fóruns são os espaços mais legítimos para começar a pensar no acompanhamento da qualidade profissional”, garante. Ela reforça a importância de tais acompanhamentos não serem provas nacionais, e sim instrumentos para resguardar a educação como direito de todos, e a aprendizagem como direito social. Tudo isso tendo em vista diferenças regionais, metas e objetivos planejados.
É desse trabalho de “colaboração” entre os entes federados que devem surgir os melhores instrumentos avaliativos. “Gestores universitários, professores, entre outros, precisam estar nesse processo”, defende. Ainda neste ano, o CNE promoverá o Seminário para a Avaliação do Desempenho na Educação Básica. A data ainda não foi definida.
A falta de supervisão sobre a qualidade do ensino oferecido aos professores foi um dos aspectos realçados por um estudo publicado pela Unesco em 2009. “Professores do Brasil: Impasses e desafios”, coordenado por Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, indicou a incapacidade do governo na fiscalização dos cursos, entre outras conclusões.
Importação arriscada
A via de simplesmente adaptar o que já existe em outros países não é uma solução recomendada para dar o pontapé inicial a esse tipo de fiscalização. Isso porque há vários fatores bastante distintos daqueles que encontramos aqui. Na Finlândia, por exemplo, país que é referência mundial pela qualidade do sistema educacional, a formação docente é mais longa, com no mínimo cinco anos de duração. São atraídos à docência pela valorização profissional existente por lá. Por estatísticas do governo finlandês, a média inicial do salário do professor é de US$ 2.111,00. “Em função desse tipo de diferença entre os países, acho difícil utilizar qualquer modelo aplicado em outros lugares. Isso é tentar comparar coisas incomparáveis”, acredita Clélia.
Para a atual secretária de Educação do Distrito Federal, Regina Vinhaes Gracindo, um modelo de avaliação possível para a questão da qualidade do professor baseia-se em três etapas: na verificação do credenciamento das instituições de ensino superior (locais de oferta dos cursos); nos concursos públicos (competências exigidas pelas secretarias de Educação); e no processo educativo das escolas. “De qualquer maneira, avaliação não deve ser planejada para a emissão de bônus. Não se trata de premiar ou castigar os avaliados, mas aprimorar o professor”, reflete.
No DF, há 28 mil professores no sistema educacional. Desses, mil não têm curso superior. Para modificar essa situação, foram desenvolvidos programas de capacitação para aprimorar as habilidades docentes. A secretária vê com ressalvas a expansão da EAD entre as licenciaturas. “É uma modalidade importante para a formação continuada, mas não para a inicial. Se possível, a primeira graduação deve ser presencial, seja qual for a licenciatura”, diz. O modelo presencial é mais completo por possibilitar maior socialização, estimulando o processo cognitivo e a aprendizagem coletiva, relações menos intensas em EAD, pondera.
Pesquisas sobre o perfil do estudante nas licenciaturas em EAD, no Brasil, são feitas, em grande parte, por universidades particulares ou por pós-graduandos dedicados ao tema. Porém, não há material de investigação acadêmica (ou do governo) conclusivo sobre o perfil desse aluno. Um dos fatores para isso é o crescimento recente da modalidade e o pouco tempo de prática em sala de aula dos formandos. Algumas características dos estudantes que aderem a ela, no entanto, são comuns entre os alunos de licenciaturas e aqueles de outras áreas.
Dificuldades
“No Brasil, EAD se impõe como necessidade, como ocorreu em muitos países”, assegura João Carlos Teatini, diretor de Ensino a Distância da Capes. Essa “necessidade” fundamenta-se, entre outros aspectos, pela dimensão continental do território e pela carência financeira de grande parte da população.
No âmbito das licenciaturas, Teatini indica a alta carga horária do professor em exercício como elemento complicador para aperfeiçoamento em cursos presenciais. “Eles enfrentam dificuldades enormes de deslocamento. Não têm tempo para se qualificar. Essa realidade existe nas metrópoles ou cidades afastadas dos centros urbanos.” Esse seria um dos “fortíssimos” motivos à aplicação de EAD no aprimoramento do docente.
A Capes é a instância responsável pela UAB, iniciativa do governo federal de fomento à modalidade. Suas graduações, basicamente, destinam-se às licenciaturas, para capacitar o professor da Educação Básica, em municípios do interior sem oferta de educação superior pública. Outra ação do governo, o Parfor, está sob a alçada da Capes. Por isso, a posição de Teatini no órgão coloca-o no centro do debate sobre as licenciaturas. Ciente de seu papel, alerta: “Do ponto de vista cronológico, estamos 40 anos atrasados em política pública para EAD ao nos compararmos a outros países” (ver texto na página 32). Nesse hiato, ocorreu um crescimento desenfreado das instituições de ensino superior particulares. Dos atuais professores da Educação Básica, 75% são egressos dessas instituições. “Um dos esforços do governo é conscientizar instituições superiores públicas para se voltarem às licenciaturas, como já fizeram no passado”, enfatiza.
Antes de apontar para um problema específico da modalidade a distância, Heleno Araújo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), introduz o tema com a ressalva de que os investimentos em educação são pequenos e que duplicá-los seria o primeiro passo para melhorar a formação.
Lembra, ainda, a urgência de verificar como o governo deseja informatizar as escolas. “Muitas delas sofrem com falta de energia. Em vários casos, a rede elétrica não comporta o computador e, às vezes, por falta de segurança, o computador, lá instalado, é roubado. Estamos longe do uso da tecnologia na perspectiva como se coloca em EAD.”
Acesso remoto
A União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) também destaca a necessidade de observar aspectos de infraestrutura para que o ensino a distância possa cumprir seu papel. “Precisamos oferecer banda larga de qualidade nos estados”, pondera Cleuza Repulho, presidente da Undime, para quem as dimensões continentais do Brasil favorecem a modalidade.
Ao exemplificar seu argumento, ela lembra diálogo com representantes educacionais de Abaetetuba (PA), onde se leva, segundo relatos, 15 dias para visitar todas as escolas da área. “A dificuldade deles é imensa. Vamos desconsiderar esses alunos? Esses professores? Ou as universidades se disporão a ir até os lugares mais remotos?”, pergunta.
Apesar de dificuldades técnicas para utilização da internet, o Brasil é o quinto maior país do mundo em conexão à web. E mais: por projeções do Centro de Tecnologia da Fundação Getulio Vargas, até 2012 teremos um computador para cada dois habitantes. Atualmente, há 85 milhões de computadores em uso.
A despeito de ainda serem incipientes os estudos sobre os egressos da formação a distância ou as métricas para avaliação desse graduado, resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) são utilizados por instituições e entidades defensoras do EAD para reafirmar a qualidade de ensino da modalidade.
Em 2010, a maior nota do Enade, 80,3 pontos, foi alcançada por Antônio Edijalma Rocha Júnior, do curso a distância de Tecnologia em Gestão da Produção Industrial, do Grupo Educacional Uninter. Bem acima da média geral do teste, 45 pontos. Outros levantamentos do Inep apontaram, também, que estudantes em EAD saíram-se melhor em sete de 13 áreas possíveis de comparação entre as modalidades, entre elas biologia, geografia e matemática. Ainda a título de comparação, o Inep analisou, em anos anteriores, o desempenho no Enade dos formandos em EAD e presencial em administração, matemática, pedagogia e serviço social. No geral, o resultado dos egressos da educação a distância foi 6,7 pontos superior ao dos alunos de cursos presenciais.
Para o presidente do Instituto de Pesquisa e Administração da Educação (Ipae), João Roberto Moreira Alves, os resultados do Enade são indicativos de qualidade do ensino, mas são incompletos. “Os alunos que fazem o exame precisariam ter mais comprometimento.” Segundo ele, muitos se submetem ao exame apenas para cumprir uma obrigação, sem compromisso de ter um bom desempenho.
Prática
A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) é responsável pela supervisão dos cursos da modalidade a distância nas instituições superiores. Criada no início deste ano, absorveu atribuições que antes eram das secretarias de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), de Educação Superior (Sesu) e de Educação a Distância (SEED), essa extinta no começo do ano.
Como os processos de regulação, supervisão e credenciamento das instituições em EAD são relativamente recentes, apenas três instituições foram descredenciadas pelo MEC por não atenderem às condições exigidas de ensino ou funcionamento. Até 2008, de acordo com a Seres, o MEC se concentrou na regulação (credenciamento e autorização de cursos). A supervisão foi iniciada a partir de então, e as instituições supervisionadas foram aquelas com maior número de alunos ou com denúncias significativas. Ou seja, nestes três últimos anos passaram por supervisão 40 instituições. Foram assinados 18 termos de saneamento, ajustes na oferta do ensino e gestão da instituição. Foram fechados 3.800 polos de apoio presencial e extinguiram-se mais de 20 mil vagas de ingresso.
Nessa discussão, Cezar Nunes, pesquisador da Fundação de Apoio à Faculdade de Educação da USP (Fafe), agrega outro ponto de reflexão: o fato de o país não ter estabelecido práticas de como os graduandos possam utilizar ferramentas tecnológicas para explorar o conteúdo educacional a ser ensinado nas licenciaturas em EAD. “Fazemos uma formação específica de professores, mas eles não trabalharão a distância. Estarão no presencial, porque assim é a nossa Educação Básica”, pondera.
A educação desenvolve diversas habilidades humanas como a colaboração, pensamento crítico, pesquisas. “Daí a tecnologia ser forte aliada para dinamizar o processo de aprendizagem. Mas essa prática precisa ser mostrada aos professores em sua formação”, adverte.
Fonte: revistaeducacao.uol.com.br

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Second Life como Plataforma de Educação

Vários trabalhos acadêmicos têm sido produzidos nos últimos anos no Brasil sobre o uso do Second Life como plataforma em educação.
A pesquisa de Gomes (2008), que utiliza como referencial teórico a análise do discurso, compara o ambiente virtual da Unisul Virtual com o Second Life em dois cursos, analisando as atuações dos autores, tutores e alunos. A autora conclui que o Second Life é um ambiente mais adequado para a oferta de cursos abertos e a realização de atividades síncronas, cooperação e autoria, possibilitando novas formas de fazer pedagógico, produção e compartilhamento do conhecimento.
O trabalho de Gecelka (2009) analisou o planejamento, o desenvolvimento, a execução e os resultados de um curso oferecido na ilha do Sebrae. O autor conclui que, no Second Life, o professor pode visualizar o aprendizado dos alunos em um ambiente virtual lúdico, rompendo, assim, com uma característica marcante da educação a distância: o fato de o professor não poder acompanhar visualmente a aprendizagem.
Corrêa (2009) analisa como interações sociais cada vez mais complexas são permeadas pelo físico e pelo virtual. A pesquisa mostra como os processos de interação e comunicação, mediados por tecnologias hipermidiáticas como o Second Life, possibilitam novas formas de construção do conhecimento.
A pesquisa de Fernandes (2010) explora o uso do Second Life no ensino de ciências e biologia. A interação com os recursos nativos do próprio mundo virtual permite estruturar uma nova forma de pensar, hipertextual. Segundo o autor, a interface tridimensional do Second Life proporciona novos modos de interação e comunicação. A navegação torna-se imersão: navegar não é mais preciso quando se pode caminhar, correr, voar e até mesmo teletransportar-se por caminhos construídos pelos próprios usuários. O Second Life possibilitaria, assim, novos modos de contato com a informação, que se encontra agora na forma de objetos multimeios e nas relações entre os usuários.
A investigação de Trein (2010) conclui que, ao contrário da telepresença, um mero deslocamento da voz e/ou da imagem, além da criação de identidades digitais virtuais no Second Life, faz com que o usuário se sinta envolvido em uma experiência imersiva e interativa mais rica, propiciada pela sensação de ser o avatar e pertencer
ao ambiente. No Second Life, o estar junto virtual síncrono, juntamente com a possibilidade de expressar a corporalidade e criar identidades digitais virtuais por meio de avatares, aumenta o sentimento de presença e de pertencimento, contribuindo para a superação do paradigma da distância e da falta de presença física na educação on-line.
A pesquisa de Silva (2010) analisa como o design de interação pode ser utilizado para tornar eficiente a integração entre LMSs baseados na web e mundos virtuais 3D, nos quais as interfaces são desenvolvidas de forma emergente pelos usuários, e não necessariamente por designers.
O SlEDp é um grupo de usuários que experimentam com Educação, Cultura, Artes, Games e outras mídias no Second Life, ou que têm interesse nessas experiências. O objetivo do grupo é reunir esses educadores para compartilhar nossas experiências. Para participar do grupo, acesse https://groups.google.com/group/sledp/.
CORRÊA, B. C. A construção do conhecimento nos metaversos: educação no Second Life. Dissertação (Mestrado em Semiótica, Tecnologias da Informação e Educação) – Universidade Braz Cubas, Mogi das Cruzes, 2009.
FERNANDES, D. A. A. Os ambientes virtuais tridimensionais e a educação para a biologia: possibilidades e interações acerca do ensino de ciências e biologia no metaverso do Second Life. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática) – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.
GECELKA, R. Vivências, benefícios e limitações: registro sobre o uso do Second Life em uma experiência educacional. Trabalho de Conclusão de Curso (Pós-Graduação Lato Sensu em Educação a Distância) – Universidade Católica de Brasília, Florianópolis, 2009.
GOMES, E. T. Ciência, tecnologia e educação em rede: as significações da ciência nos ambientes virtuais de aprendizagem - AVAs. Dissertação (Mestrado em Ciências da Linguagem) – Universidade do Sul de Santa Catarina, Palhoça, 2008.
TREIN, D. Educação online em metaverso: a mediação pedagógica por meio da telepresença via avatar em MDV3D. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos, São Leopoldo, 2010.
SILVA, A. C. Reconhecendo estilos de aprendizagem em mundos virtuais 3D como subsídio para o design educacional. Dissertação (Mestrado em Design) – Senac-SP,

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Análise de conteúdo com o Atlas TI

Atlas TI
O Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica - EDUMATEC e o programa de Pós-Graduação em Administração (PROPAD) promoveram na última semana um curso de extensão sobre o software de análise de dados ATLAS TI

INCLUSÃO AO DEFICIENTE COM O EAD

Proposta prevê ensino a distância para aluno deficiente

Tramita na Câmara o Projeto de Lei 508/11, do Senado, que assegura o acesso escolar ao aluno cuja deficiência o impede de frequentar estabelecimentos de ensino. A proposta prevê atendimento educacional em local especial, recursos pedagógicos de educação a distância e outros que se utilizem da internet.

O autor, ex-senador Augusto Botelho (RR), ressalta que a deficiência pode impedir que o estudante se desloque para as escolas especiais, o que cercearia seu acesso à educação.